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Dados do Trabalho


Título

A ingestão de cafeína em profissionais da área da enfermagem está associada ao trabalho noturno e ao cronotipo

Introdução

A piora do padrão de sono de trabalhadores em turnos apresenta grande variação individual e o cronotipo do indivíduo parece exercer importante influência na sua adaptação. Estudos demonstram que o consumo de cafeína tem sido utilizado como estratégia para essa adaptação.

Objetivo

Avaliar a ingestão de cafeína de profissionais de enfermagem do sexo feminino em diferentes turnos e estudar sua relação com o cronotipo.

Métodos

Duzentos e vinte e uma profissionais da área da enfermagem foram divididas em três grupos: grupo diurno (n=112), que trabalhou apenas durante o dia (manhã ou tarde sem turno da noite); grupo noturno (n=55), que trabalhou apenas durante a noite; e grupo diurno-noturno (n=54), que trabalhou durante o dia (manhã ou tarde) mais pelo menos 9 horas durante a noite toda semana. As voluntárias foram submetidos às seguintes avaliações: variáveis antropométricas (peso, altura, índice de massa corporal, circunferência da cintura e do quadril); identificação do cronotipo (Horne & Otsberg); qualidade do sono (Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh) e sonolência (Epworth Scale). A ingestão de cafeína foi avaliada pela aplicação de um questionário de frequência alimentar que continha as fontes alimentares de cafeína (infusão de café, sachê de chá, chá preto, chá mate, chocolate, cacau em pó, refrigerantes de guaraná e cola).

Resultados

As profissionais do grupo noturno consumiram maiores quantidades de cafeína quando comparadas com o grupo diurno e diurno-noturno (273,4mg ± 42,5, 170,7mg ± 26,9, 111,0mg ± 40,3, respectivamente). Quando a ingestão de cafeína foi analisada entre diferentes turnos de acordo com o cronotipo, os trabalhadores do grupo noturno classificados como indiferentes (446.9mg ± 111.0) e vespertinos (535.0mg ± 129.7) tiveram um consumo significativamente maior quando comparado aos trabalhadores dos grupos diurno (209.1mg ± 69.7 e 128.1mg ± 61.1, respectivamente) e diurno-noturno (104.0mg ± 70.6 e 61.2mg ± 15,1, respectivamente). O consumo de cafeína entre indivíduos matutinos não foi estatisticamente diferente entre os três.

Conclusões

Observou-se uma alta ingestão de cafeína entre as enfermeiras que participaram do estudo, especialmente aquelas que trabalharam à noite e aquelas que apresentaram o cronotipo vespertino e indiferente. Esse padrão pode refletir o estilo de vida dos trabalhadores em turnos e indicar a necessidade de monitorar e rastrear o estado de saúde dos indivíduos envolvidos nesta programação laboral.

Palavras-chave

Cafeína, cronotipo, sono

Área

Área Clínica

Instituições

Universidade Federal de Uberlândia - Minas Gerais - Brasil

Autores

Laura Cristina Tibiletti Balieiro, Laura Reis Carrijo, Olaine Oliveira Pinto, Martina Pafume Coelho, Karina Bueno Pires, Cibele Aparecida Crispim